sexta-feira, 2 de abril de 2010

é tão tarde! a manhã já vem...


na manhã do feriado, a música do gás até parece anunciar o fim do mundo.
tudo é tão silencioso que chega a doer. e então ela grita, ao fundo lá atrás.
o que quer o gás a me atordoar.
me deixa em paz, hoje é feriado!

a dor do amor é a incompreensão!
por que o amor não compreende...
como é dificil toda incompreensão... do ser amado. não tenha a intenção de compreender tudo, na tentativa vã de transformar os 'eu entendi' em oferenda, pois assim, ritualiza-se. transforma-se em divino? algo tão terreno e palpável.

transformar-se em seu chão, chuva, fado, bardo, um seu eunuco, um seu soprano, sua cama, rádio, seu avesso, casaco, asfalto..
escorrer no seu cabelo, em seu itinerário.
configurar-me seu paradeiro.
onde você está agora?

escrevo, rasgo... pois te encontrei nas linhas.

ainda exijo! por favor, decodifique-me.
a dor da não-compreensão é o amor.
é a dor! de não saber como dois seres, tão diferentes podem viver sabendo que não são e nunca serão 'uno'. como eu queria! unir o que há em mim ao que te habitas. mas não passa de um sonho! quantos amantes não desejaria o mesmo?

aqui de fora, olhando pra dentro dela. como se só meia-pele fosse... há algo de impermeável!
é preciso virar-se de cabeça pra baixo!

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Uma parte de mim é todo mundo
Outra parte é ninguém
Fundo sem fundo
Uma parte de mim é multidão
Outra parte estranheza e solidão
Uma parte de mim, pesa e pondera
Outra parte, delira!
Uma parte de mim almoça e janta
Outra parte se espanta
Uma parte de mim é permanente
Outra parte se sabe de repente
Uma parte de mim é só vertigem
Outra parte, linguagem
Traduzir uma parte na outra parte
Que é uma questão de vida ou morte
Será arte?
Será arte?
(Ferreira Gullar)

Um comentário:

Camila S. disse...

é preciso se virar do avesso!

falei que você tinha de voltar! suas palavras são lindas.