domingo, 8 de agosto de 2010

crepúsculo e morte

Tela de Frida Kahlo, a morte como temática.

agora que eu escrevo é difícil.. por isso levo tempo.. levo comigo.
eu tenho medo agora, também. realmente a cidade respira diferente! é a minha esperança lá fora cantando? mas ela me assusta...!
meu corpo aquecido pós-banho me faz atenção ao que interno desenvolvia-se. expeli hoje lavei-os com sabão neutro.
este momento é neutro pra mim.
mas dói.
tento chamar atenção de amigos meus... eu queria todos aqui. não comigo, poderia ser online. mas é sábado. e três da manhã. não há ninguém. tenho a frida que pintei. se não ecoasse eu não ligaria pra eles. eu preciso do silêncio! o silêncio das idéias. que me levam pra frente. infelizmente sem você.
eu entro em contato com o que aconteceu. e com o que eu ouvi... da maneira como ouvi. vindo de alguém que foi incapaz de descer e falar comigo de igual pra igual...
embora discordemos de muitos outros breves assuntos, como o que sempre me pulsa: a miséria! e de como pode ser verdade que todo mundo tem o que merece? eu tive o que mereci? uma batalha! pois saibam todos: a prerrogativa de uma guerra é a detenção de um poder que antes, não se tinha! e eu, que um dia, julguei possuir o que agora descubro nunca ter tido.
acabou.

sábado, 31 de julho de 2010



não julgo impossível o que espero. impossível é não esperar.

não me justifico: assumo-me.
eu poderia falar de minhas insistentes ofertas que dedico-lhe em silêncio: que as minhas prioridades sejam para ti, que recebe a oferta, tão valiosas como minha vida deveria ser...como a sua vida a mim, é.

eu poderia começar falando de minha arrogância provocadora, e de minha insistência em olhar apenas para as minhas dores em meus delírios perseguidores, onde à mim todos parecem fingir não me ver. eu poderia relembrar-me das incontáveis vezes em que ajuda recebi, mesmo quando eu não conseguia enxergar socorro. eu também poderia falar das vezes intermináveis em que me coloquei como vítima diante da responsabilidade que deveria ser só minha. a minha arrogância é pretexto posto que eu mesmo me subestimo.

eu deveria falar também como quem lucidamente olha pra si, como costumeiramente faço, embora não comente. eu deveria dizer-lhes como sinto por não conseguir modificar-me. transformar a dura realidade: não importa aos outros o que importa a mim... e eu também deveria dizer de como é penoso encarar o fato de que, diante de tamanha inconformidade a vida ainda pulsa. eu poderia e deveria dizer-lhes que não lamento nada e que tudo deve prosseguir. mas não é assim que acontece.
como agora a dor pungente em minha cabeça indica minha imaturidade. como agora a dor que me impulsiona a escrever-lhes mesmo sabendo que ninguém vai ler, nem comentar. essa dor também me esclarece: se alguém me ler, não terá o que dizer.

eu poderia me embriagar e denunciar que nada sei. esse assistencialismo que eu cresci chamando de ideal. eu poderia também elencar o que me fez achar assim, e quais aspectos de minha criação eu mesmo teria mudado, se pai eu fosse. eu deveria repetir mais a mim mesmo: não existem culpados! eu poderia ir além, se eu pudesse de fato nunca mais surpreender-me ao sentir o que não controlo. ainda.
eu poderia dizer aqui abertamente de minha grande decepção, do tamanho exato de minha ambição que a precede. eu poderia esclarecer afirmando o que me vem à cabeça sempre: eu, no seu lugar, faria diferente!